25 de Março de 2019 -
 
12/03/2019 - 18h00
ASSISTA VÍDEO: De fã a parceiro de Ney Matogrosso
PAULA MACIULEVICIUS BRASIL
Correiodoestado/Agoranews
Os dois se encontraram e gravaram em um estúdio no 
Rio de Janeiro - Foto: Raíssa Tâmisa.

“Há quem diga que dessa vida eu não levo graça, que essa barba é só pirraça e que o que eu canto só tem lamento, que meu descontentamento é ser mais um na praça”. As frases são de um bolero abrasileirado de um cara tão sul-mato-grossense quanto pernambucano. Begèt de Lucena tem 25 anos, 10 deles de carreira.

É músico, canta, compõe, interpreta e se recria no palco a cada apresentação. Nascido em Exú, no Pernambuco, terra do Rei do Baião, Begèt vive em Campo Grande e foi daqui que ele enviou a primeira mensagem pelo Instagram para quem sempre o inspirou na carreira, Ney Matogrosso.

NAS REDES SOCIAIS

“Tudo foi muito por acaso. Eu falo com o Ney faz uns três anos. Um dia, sem pretensão, mandei uma mensagem falando da importância que ele tem na minha vida. Não sei por que, mas eu mandei, ele me inspirava”, conta. A resposta veio oito meses depois, quando Begèt já tinha até se esquecido. A conversa então passou a ser mais frequente. Uma mensagem aqui, outra acolá. Sem que o menino do lado de cá soubesse, ao certo, se era mesmo Ney do outro lado.

“Eu ficava na dúvida, mas ele postava fotos do cotidiano, da casa, do sítio, só podia ser ele, sabe?”. Até que o diálogo entre os dois evoluiu a ponto de Begèt tomar coragem e mandar “Bolero de Criolo”, a música que ele tinha composto cinco anos atrás e achava ser a cara de Ney. “Ela foi feita durante um amor que eu vivi e fui muito feliz e denota que este personagem se enfeita para morrer de amor”, explica. 

O sonho de Begèt era de que Ney Matogrosso gravasse o bolero com ele. A primeira tentativa de enviar o material falhou, e ele então pediu outro contato do ídolo. Ney passou o e-mail, para o qual o jovem compositor enviou a letra. 

Os dois só foram se encontrar cara a cara em 2017, no Festival de Inverno de Bonito, no qual Begèt tirou a prova dos nove. “Será que é com ele mesmo que eu falo?”, se questionava. A dúvida não só foi respondida como rendeu uma foto e uma versão de Begèt se olhando ao espelho. “A gente é muito parecido, ele é muito introspectivo. Desceu do palco, onde estava passando o som, me cumprimentou e conversamos”, recorda. 

Parceria resultou na gravação da música "Bolero de Criolo" - Foto: Raíssa Tâmisa

Parceria resultou na gravação da música "Bolero de
Criolo" - Foto: Raíssa Tâmisa

CONVITE PARA CANTAR

No mesmo ano, mais próximo do Réveillon, o músico daqui foi até o Rio de Janeiro assistir ao show de um amigo, quando por acaso, no camarim, trompou com Ney. Na ocasião, a verba para o lançamento do disco de Begét, em que estaria a faixa “Bolero de Criolo”, advinda do fundo de incentivo à cultura, havia saído. “Ele já tinha aceitado o meu convite feito por e-mail, mas eu refiz pessoalmente e ficamos só de ver a data”, recorda. 

O encontro musical foi em outubro do ano passado, marcado pela generosidade de Ney. “A gente vai criando certas coisas em cima do artista que não existem, sabe? Eu pensava que ele teria um estúdio de preferência para gravar, mas ele me disse que a qualquer estúdio que eu marcasse no Rio de Janeiro ele ia”, descreve. 

GRAVAÇÃO

Durante horas, eles gravaram, conversaram e cantaram juntos. O papo, como não podia deixar de ser, chegou ao estado de carreira de Begèt, Mato Grosso do Sul, o mesmo onde Ney nasceu. De Bela Vista, o nome que carrega no mundo artístico é o de quando o Estado ainda era um só. “Conversamos sobre Cazuza, ele ficou saudoso de Mato Grosso, como ele mesmo diz”, reproduz.

Ney já havia feito declarações à imprensa de que não cantaria mais ao lado de homens, por conta da diferença no tom de vozes. No entanto, parece que, para Begèt, ele abriu uma exceção. “E eu tenho voz grave e ele aguda, no contexto fica bonito, mas é difícil de gravar e este foi meu grande trunfo”, diz o cantor.

Parceria resultou na gravação da música “Bolero de Criolo”, no Rio de Janeiro

A canção é uma música forte, na opinião de quem a compôs, mas, do drama de Begèt, Ney foi ao deboche, atribuindo humor à letra e no fim dela inserindo a palavra “otário”. “Eu contei a história, de que era uma pessoa que se enfeitava para morrer de amor e ele me disse então: ‘Ela morre sem olhar para trás, morre debochando desse amor’”, afirma Begèt. Ney também, segundo o compositor, concordou: a música era, sim, a cara dele. 

“Bolero de Criolo” faz parte do álbum “Cigano”, o primeiro da carreira de Begèt, com 11 faixas e que em breve será lançado nas plataformas digitais. O lançamento mesmo deve ocorrer entre abril e maio, em um show que Ney Matogrosso se comprometeu a estar. “Existe a grande possibilidade de ele vir, só ver a data certinha”, garante Begèt. 

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