20 de Novembro de 2018 -
 
11/09/2018 - 19h00
Ex-governador BETO RICHA é preso acusado de fraudar licitação
Por Malu Mazza e Aline Pavaneli, RPC Curitiba e G1 PR
G1.Globo

O ex-governador do Paraná Beto Richa, candidato ao Senado pelo PSDB, foi preso na manhã desta terça-feira pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em Curitiba, no Paraná.

Beto Richa é alvo de duas operações: uma realizada pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR), pela qual foi preso, e outra da Polícia Federal (PF), em uma nova fase da Lava Jato. Na 53ª etapa da Lava Jato, a casa de Beto Richa foi alvo de mandado de busca e apreensão.

Moro vê indícios de que alvo da 53ª fase da Lava Jato trabalhava nos bastidores de campanha de Richa para o Senado

A defesa de Beto Richa informou, por meio de nota que, até agora não sabe qual a razão das ordens judiciais e que ainda não teve acesso à investigação.

"Ele está muito bem, aguardando sereno. Sempre se dispôs a prestar qualquer esclarecimento à Justiça e também ao Gaeco. Não há razão para esse procedimento, inclusive, especialmente em período pré-eleitoral", afirmou a advogada do ex-governador, Antônia Lélia.

Ela disse que deve ajuizar, ainda nesta terça-feira, um habeas corpus.

Ex-governador do Paraná Beto RIcha é apontado como chefe de organização
criminosa que fraudou licitação de R$ 70 milhões — Foto: J.F. Diorio/Estadão
Conteúdo.

ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) considera que o ex-governador do estado Beto Richa (PSDB) e atual candidato ao Senado é chefe de uma organização criminosa que fraudou uma licitação de mais de R$ 70 milhões para manutenção de estradas rurais, em 2011.

De acordo com a Justiça, o esquema criminoso funcionava a partir do aluguel de máquinas da iniciativa privada. A ideia, conforme despacho do juiz Fernando Bardelli Silva Fischer, da 13ª Vara Criminal de Curitiba, era fraudar a licitação para que as empresas envolvidas ganhassem o contrato superfaturado.

O G1 entrou em contato com a assessoria de Beto Richa, mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem.

Os promotores afirmam que o acordo com empresários beneficiados pela licitação previa o pagamento de 8% a agentes públicos, a título de propina, sobre o faturamento bruto.

As informações estão na decisão de Fischer, que autorizou a Operação Rádio Patrulha, deflagrada nesta terça-feira (11) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em Curitiba, no Paraná.

Ainda segundo as investigações, o delator Tony Garcia era quem recebia a propina e repassava o dinheiro a Richa, “que contava com o apoio de Pepe Richa, Luiz Abi, Ezequias Moreira e Deonilson Roldo para organizar o esquema criminoso e auxiliar na arrecadação dos valores ilícitos”.

O MP-PR também apurou que Richa fez a lavagem de valores ilícitos com apoio da mulher Fernanda Richa e do contador da família, Dirceu Pupo Ferreira.

“Por meio de transações envolvendo a compra e venda de bens imóveis realizadas em nome de empresas da família Richa”, detalha a decisão.

Beto Richa e Fernanda Richa foram presos pelo Gaeco no prédio onde moram,
em Curitiba — Foto: Tarcisio Silveira/RPC

Menção à propina

Entre as provas apresentadas pelo MP-PR, há um áudio de uma suposta conversa, de novembro de 2013, entre o delator Tony Garcia e o então governador Beto Richa. Para os promotores, a conversa faz menção ao atraso da propina que deveria ter sido paga por Celso Frare, empresário da Ouro Verde, uma das empresas beneficiadas pela licitação supostamente fraudada.

Veja a transcrição da conversa:

Tony: Você tem falado com o CELSO FRARE?
Beto: Falei.
Tony: Quando?
Beto: Falei, anteontem.
Tony: Aonde?
Beto: No almoço na casa dos (...) Mas assim, de receber, falar sozinho, não.
Tony: Ele não acertou o negócio aí.
Beto: Ahn?
Tony: Ele não acertou o negócio aí.
Beto: Ah! Ele me agradeceu, “já entrou um tico-tico lá que tava atrasado, obrigado”.
Tony: Isso.
Beto: Ele sabe que tá difícil sair, já pagaram uma parte… Bão...
Tony: Isso… Só que ele não pagou a parte que tem que pagar.
Beto: Se bobear, se não for pra cima, nós não…
Tony: Isso.
Beto: É você que ficou encarregado?
Tony: É eu que fiquei.
Beto: Então vai pra cima!
Tony: Vou pra cima, vou falar pra ele…
Beto: Eu não vou cobrar ele.
Tony: Não, você não pode! Nem você nem o PEPE.
Beto: Não sei de nada.
Tony: Deixa, você tem que ficar quieto. Fica na tua.

Prisão de Richa

Na decisão, juiz Fernando Bardelli Silva Fischer afirma que o funcionamento do suposto esquema criminoso dependia do aval de Richa e da ordem dele a subordinados.

“Os indícios de autoria estão consubstanciados no conjunto de elementos probatórios que instruem este pedido, em especial no áudio de gravação ambiental de mov. 1.25, em que o próprio investigado trata de assuntos relacionados ao atraso do pagamento da propina com o colaborador Tony Garcia”, destaca.

Além disso, o magistrado argumenta que o ex-governador é mencionado em várias conversas entre outros investigados, que também foram gravadas, e que há indícios da prática de lavagem de dinheiro em benefício dele por meio de empresas da família.

O magistrado entendeu haver indícios que apontam que os investigados formaram uma organização criminosa, com divisão de tarefas, e que cometeram os crimes de fraude a licitação, corrupção e lavagem de dinheiro, entre outros.

Após analisar a representação do MP-PR, o juiz considerou imprescindível a decretação das as prisões dos 15 investigados.

Entre os argumentos estão a complexidade dos crimes, que implica em um amplo conjunto de provas que precisa ser colhido e analisado.

Para o magistrado, as prisões por cinco dias garantem uma maior probabilidade de sucesso no cumprimento de mandados de busca e apreensão.

 

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