18 de Setembro de 2019 -
 
04/09/2019 - 15h00
Operação Vostok: PF ouve dono de frigorífico, empresário e ex-assessor sobre notas frias
Redação
Midiamax/Agoranews
Maria Lúcia deixa a sede da PF. (Leonardo de França,
Midiamax)

Proprietário do frigorífico Buriti, empresário e ex-assessor do Governo do Estado estiveram entre os que prestaram depoimento à PF (Polícia Federal) na tarde desta quarta-feira (04), em Campo Grande. Eles são apontados na delação do empresário Wesley Batista como participantes do esquema de emissão de notas fiscais falsas para justificar propina que seria paga pela JBS a políticos de Mato Grosso do Sul.

As oitivas duraram de 50 minutos a mais de três horas e foram conduzidas por delegados vindos de Brasília (DF). O primeiro a chegar foi o pecuarista e ex-coordenador regional do governo de Reinaldo Azambuja (PSDB), Zelito Alves Ribeiro, que chegou a ser preso durante a Operação Vostok, deflagrada em setembro do ano passado. Ele ficou até por volta das 17h no prédio da PF, de onde saiu acompanhado de sua advogada sem falar com a imprensa.

Conforme a delação da JBS, o ex-coordenador regional do governo tucano, responsável pela interlocução de alguns municípios com o Parque dos Poderes, emitiu notas fiscais para a JBS que somam pouco mais de R$ 1,7 milhão e que seriam frias, usadas para, segundo a delação da multinacional, esquentar a propina paga a integrantes da atual gestão do Governo do Estado.

Citado na delação como operador inicial do esquema de recebimento de propina da JBS em MS, em 2003 em prol do então governador Zeca do PT, o empresário João Baird também deixou a sede da PF sem falar com a imprensa. A caminhonete do empresário permaneceu no estacionamento, por onde ele chegou e saiu usando o acesso dos fundos e seu depoimento durou cerca de 50 minutos.

‘Passaporte’

Um dos proprietários do Frigorífico Buriti Comércio de Carnes, situado em Aquidauana e que também foi citado na delação, Pavel Chramosta também esteve na PF nesta tarde, onde permaneceu por cerca de 3h. Ele chegou ao local acompanhado de seu motorista e dois advogados, em uma caminhonete com placas registradas em nome do frigorífico. Questionado pela reportagem na saída, o empresário negou que tenha ido depor e disse que estava no prédio da PF para tirar passaporte.

O frigorífico foi citado na delação da JBS como responsável pela emissão de mais de R$ 12 milhões em notas frias de compras de carnes. Em setembro do ano passado, durante os trabalhos da Operação Vostok, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na empresa e os proprietários do frigorífico convocados a depor. Na ocasião, o advogado de defesa da empresa disse que seus clientes não sabiam da movimentação de R$ 12 milhões em notas frias e afirmou que elas teriam sido emitidas por escritório de Aquidauana, que tinha procurações.

Entre as testemunhas e interrogados da manhã desta quarta-feira (04) estão o delator da Operação Lama Asfáltica Ivanildo Cunha Miranda, o ex-prefeito de Porto Murtinho Nelson Cintra, o deputado estadual Zé Teixeira (DEM) e o pecuarista Elvio Rodrigues, apontado como um dos emissários de notas fiscais falsas, utilizadas pela JBS para distribuição de propina entre políticos de Mato Grosso do Sul.

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