11 de Dezembro de 2018 -
 
27/11/2018 - 17h38
Em escuta, PF flagrou Cance combinando destruição de provas
Aliny Mary Dias
Midiamax/Agoranews

Ao solicitar à Justiça Federal prisões de alvos da Operação Computadores de Lama, deflagrada nesta terça-feira (27), a Polícia Federal revelou detalhes das investigações. O ex-secretário adjunto de Fazenda do Estado, André Luiz Cance, foi flagrado em escuta telefônica combinando destruição de provas que supostamente incriminariam o ex-governador André Puccinelli (MDB).

Os detalhes estão no despacho assinado pelo juiz federal substituto Sócrates Leão Vieira, da 3ª Vara Federal de Campo Grande. Na decisão, o juiz determina prisões preventivas de Cance, do empresário João Baird, do sócio dele Antonio Celso Cortez e do pecuarista Romilton Rodrigues de Oliveira, o único que ainda não foi preso.

Ao aceitar o pedido de prisão proposto pela PF, o juiz relembra que na segunda fase da Operação Lama Asfáltica, a Fazendas de Lama, a Justiça Federal reconheceu a “periculosidade concreta” de Cance. A função do ex-secretário do suposto esquema seria de receber propinas que seriam destinadas ao ex-governador Puccinelli.

No período das investigações antes da deflagração da primeira fase da operação, em dezembro de 2014, policias federais interceptaram um telefone entre André Cance e seu irmão, Mauro Ernesto Cance. Os dois falam sobre destruição de documentos ligados ao ex-governador André Puccinelli. Confira o diálogo abaixo.

André Cance: – Não, deixa eu te falar um negócio. Você botou fogo naqueles negócios que tava aí do André Puccinelli?

Mauro Cance: – A maioria, quase tudo.

André: – Uns livros vermelho cê não pôs não né?

Mauro: – Vermelho André? Que que é esse livro?

André: – Uns recortes de jornal, uns trens assim.

Mauro: – Tem uns negócios que eu vi, mas eu vou dar uma olhada lá.

Para a PF, tanto o diálogo como provas mais recentes mostram que Cance ainda participa do suposto esquema e que se deixado em liberdade, “colocará em risco a aplicação da lei penal”. Para os investigadores há indícios de crimes de falsidade ideológica.

Além do pedido de prisão, também foi autorizado bloqueio de bens dos investigados, entre eles Cance. Do ex-secretário foram autorizados R$ 4,9 milhões em bloqueio, que equivale a dois imóveis.

Ao Jornal Midiamax, o advogado de Cance, José Wanderley Bezerra afirmou que está tomando conhecimento dos fatos que levaram à nova prisão e que pedido de liberdade será ajuizado nos próximos dias.

Prisões

Das seis fases da Operação Lama Asfáltica deflagradas pela força-tarefa montada entre a Polícia Federal, Receita Federal e a CGU (Controladoria-Geral da União), em três delas André Cance foi alvo de pedido de prisão preventiva.

A primeira prisão do ex-secretário foi registrada em maio de 2016, na segunda fase da Lama Asfáltica, a Fazendas de Lama. Em maio do ano passado, na quarta fase da operação, a Máquinas de Lama, Cance voltou para a cadeia. Ele permaneceu cinco dias preso e conseguiu liberdade determinada pelo desembargador federal Paulo Fontes.

A terceira prisão preventiva foi cumprida nesta terça-feira, na sexta fase da operação.

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