14 de Dezembro de 2018 -
 
07/03/2018 - 20h30
Para ambas vereadoras, não é fácil disputar currículo com homens, na política não é diferente
'Nós lutamos pela liberdade, a conseguimos. Mas que liberdade é essa cheia de opressão?', questiona Cida
Rodson Willyams
Topmidianews/Agoranews
Vereadoras Dharleng Campos (PP) e Cida Amaral
(Podemos).

Para nós - homens - viver em um mundo contemporâneo cheio de oportunidades é fácil, mesmo diante de diversas dificuldades que enfrentamos no dia a dia, seja em casa ou no trabalho. Só que para nós, sempre nos é ofertado benefícios, como por exemplo, salários melhores com direito até certas vantagens. Mas será que essas mesmas condições são oferecidas para as mulheres? Será que no caso delas, é fácil viver neste mesmo mundo em que nós já estamos habituados a sempre ter espaço e liberdade?

Pois bem, o TopMídiaNews conversou com as duas vereadoras que compõe atualmente o quadro da Câmara Municipal de Campo Grande: Cida Amaral (Podemos) e Dharleng Campos (PP). A pergunta feita foi a seguinte: é fácil ou difícil ser mulher hoje em dia?

A princípio, para nós - homens - a questão não passa de uma simples pergunta que pode até passar despercebida, mas para elas, não. Foi possível sentir que a pergunta soou como uma autoanálise, uma reflexão.

Cida Amaral chegou até a ficar em silêncio por alguns segundos ao ser surpreendida com a questão. "Essa pergunta não é simples é complexa", refletiu a parlamentar.

"Hoje nós temos mais facilidade, mas fazendo um retrospecto, que facilidade são essas? Antes a mulher tinha que pedir a autorização e tinha os afazeres domésticos. Hoje, nós conquistamos a nossa liberdade, mas por outro lado, há um número [muito grande] de mulheres morrendo por violência doméstica, sendo mortas, inclusive, por seus próprios companheiros. Nós lutamos pela liberdade, a conseguimos. Mas que liberdade é essa cheia de opressão?  A violência doméstica é a maior opressora da mulher, da criança e da adolescente", pontua.

Para ela, os desafios são enormes para as mulheres e defende a paridade - a igualdade entre homens e mulheres. "Acredito que precisamos sair do anonimato, precisamos ter a paridade. A paridade da mulher na política, paridade social, só com a paridade a gente realmente vai por exemplo, ter mais mulheres na autarquia".  

"Como legisladora, acredito que, no futuro muito próximo, a gente também saia das cotas. Agora [neste momento], elas se fazem muito necessárias, talvez, se não tivesse a cota, nem eu e nem Dharleng estaríamos aqui. A prova disso é que são 29 vereadores, com 27 vereadores homens e duas vereadoras", pontua.

"Mas para mim, não é difícil ser mulher, o difícil é fazer com que toda a sociedade respeite a mulher como ela merece. Sonho que nós sejamos respeitadas por homens conscientes e com a inserção de políticas públicas. Só assim, vamos conseguir alcançar o nosso patamar", afirma.

Dharleng Campos também ficou reflexiva sobre a questão. "É difícil ser mulher quando você é reprimida. É fácil ser mulher quando você consegue falar. Mas não é fácil não. A mulher sente e é boicotada".

A vereadora destaca a falta de representatividade da mulher, que ainda muito é pequena. Geralmente, também trabalham em subempregos, diferentes dos homens [claro que não podemos generalizar que homens também não ocupem tal função].

"Hoje, a mulher serve para estar no chão de uma fábrica. Cuidando da limpeza ou da confecção das roupas, por exemplo, mas nunca é gerente, nunca é diretora. Só que graças a Deus, que ela ainda pode ser contratada, mas acho que a mulher ainda sofre muito", relata.

"A minha maior preocupação como parlamentar é inserir a mulher no mercado de trabalho. Se a mulher se sentir firme, se sentir realmente com cargos que pode ocupar dentro do mercado, a mulher não sofreia tanta violência quanto sofre hoje.  Então, o meu objetivo é que a mulher ocupe cargos maiores, dentro do mercado de trabalho, onde geralmente, é ocupado por homens e com renda, ela pode sustentar a sua família", afirma.

Quanto aos desafios que teve na vida apenas por ser mulher, Dharleng ainda lembra: "foi difícil, desde o primeiro emprego. Imagina, você disputar emprego com currículo de homens. Não foi fácil", finaliza.

Por fim, é fácil ou difícil ser mulher hoje em dia? Pela visão dessas mulheres, não é fácil. A violência doméstica é algo que acontece em milhares de residências, se tornou um problema social e que precisa ser combatido, as oportunidades, também não são as mesmas.

Quanto à violência, muitas não denunciam por acreditar que família deve ficar em primeiro lugar.  "A mulher, às vezes, acaba se culpando, achando que é culpa dela. Ela quer manter a família - o marido ou companheiro que sempre está 'nervoso' -  ela 'leva' para que a família não tenha desgaste. Para que tenha entre aspas 'que a família é tudo legal'", finaliza Cida.

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