27 de Setembro de 2020 -
 
30/08/2020 - 12h00
Escolas investem em cursos para mostrar que podem voltar com aulas presenciais
Já são cinco meses fechados e enquanto isso, colégios privados investem em infraestrutura e treinamentos para volta dos alunos -
Por Lucia Morel
Campograndenews/Agoranews
Unidades terão triagem logo na entrada. (Foto: Reprodução
Escola Mon Petit) - CREDITO: CAMPO GRANDE NEWS

As escolas particulares em Campo Grande investiram alto para se adequarem às exigências biossanitárias e retomar as aulas presenciais. A reportagem ouviu três instituições, cujo aporte variou de R$ 5,5 mil a R$ 50 mil. As responsáveis afirmam que se preparam desde junho, pelo menos, para retomar as aulas.

Conforme última previsão, o pedido era para, ao menos parte dos estudantes, retornarem ao ambiente escolar em 10 de setembro, data definida em reunião entre a prefeitura e o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) no dia 13 de agosto. Leia mais aqui.

No entanto, na rede estadual, o governo já anunciou que antes de outubro nada volta. Como a prefeitura de Campo Grande também tem seguido essa linha de prudência, o mesmo deve ocorrer na Capital.

Desde que a pandemia chegou em MS e na Capital, as instituições particulares têm planejado o retorno, pelo menos é o que afirmaram proprietárias, sindicalista e enfermeira que tem realizado treinamento em várias unidades.

Desde 23 de março, quando o primeiro decreto suspendendo as atividades escolares presenciais foi publicado na Capital, já se passaram cinco meses e até então, por pelo menos três vezes, as escolas privadas ensaiaram retomadas das aulas presenciais.

Quem defende o retorno, afirma que os colégios são muito mais seguros que brinquedotecas ou cuidadores.

Ederly Loureiro Dal Moro, é diretora pedagógica e proprietária da escola Mon Petit, localizada no bairro Santa Fé. Ela afirma que lá, antes mesmo do decreto municipal que encerrava as aulas presenciais, a instituição já estava se capacitando para as mudanças.

“Antes do isolamento total do dia 23, já estávamos trabalhando com álcool em gel, aferição de temperatura, enfermeira em tempo integral na escola. Depois disso, passamos a nos orientar pelas indicações da OMS (Organização Mundial da Saúde) e da Federação Nacional das Escolas Particulares”, afirma.

Salas de aula terão marcação de distanciamento. (Foto:
Reprodução Escola Mon Petit) - CREDITO: CAMPO
GRANDE NEWS

Até que a própria prefeitura editou as regras biossanitárias a serem seguidas, ainda em abril, e desde então, as escolas esperam autorização municipal para voltarem às aulas. Lá, ela afirma que foram gastos pelo menos R$ 50 mil em todas as adequações.

"Nós fomos uma das primeiras escolas a iniciar a implantação da biossegurança e adquirimos cinco sanitizadores, que serão usados cinco vezes ao dias nas salas quando as aulas voltarem”, explica Ederly, sutentando que "são investimentos que continuarão na escola, pois esse é o nosso foco principal, a saúde de nossas crianças e os colaboradores, independente da covid, esses procedimentos só irão acrescentar no nosso dia a dia".

Diretora e dona da Escola Afetiva, Natália Godoy Franco de Alencar reclama do fato de tantos espaços já terem obtido autorização para funcionamento e os colégios não.

“Já estamos fechados há cinco meses e mês após mês estão adiando reabertura. Mas vemos que as crianças não estão em casa com os pais, que precisam trabalhar. A maioria fica em cross fits infantis, abarrotados, quando a verdadeira segurança está nas escolas”, defende.

Ela afirma que o colégio passou por nova capacitação para atualização, porque já havia ocorrido outro treinamento logo após o fechamento total. “Só vai entrar na escola quem passar por triagem no portão. Vamos medir a temperatura, seguir as regras de distanciamento e só vão entrar, preferencialmente, as crianças, os colaboradores e os pais, se houver necessidade”.

Enfermeira Rafaela em capacitação. (Foto: Escola Afetiva) -
CREDITO: CAMPO GRANDE NEWS

Lá, onde as adequações custaram cerca de R$ 5,5 mil para atender seus cerca de 50 alunos, Natália diz ainda que uma das medidas que a escola vai adotar no retorno às aulas é em relação à manutenção do material escolar dos alunos dentro das salas.


“Já na entrada vamos fazer a higienização do material da criança e a mochila fica na escola, não vai ficar carregando pra casa, porque o ambiente escolar vai ser sanitizado, seguro e protegido”, enfatiza, lembrando que os produtos para sanitização são de limpeza hospitalar.

Na Escola Tic Tac, a proprietária e diretora Daniela Penrabel de Souza, diz que além de capacitação, os profissionais vão usar desde luvas e máscaras, até touca e capote. Todo esse material, assim como tapetes sanitizantes, foram adquiridos de fora. Foram cerca de R$ 6 mil em investimento.

"Nós preparamos todo plano de biossegurança nas condições que os órgãos exigiram, desde Vigilância Sanitária e Semadur, e reservamos uma sala para isolamento, que também é pedido", conta. Esse espaço era uma brinquedoteca e foi desocupada para ser a ala de observação, caso haja alguma criança com sintomas do novo coronavírus.

São cerca de 400 alunos atendidos na unidade, mas pelo menos 100 - maioria dos anos iniciais - acabaram tendo as matrículas canceladas pelos pais.

Presidente do Sinepe/MS (Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino de Mato Grosso do Sul), Maria da Glória Paim faz coro à capacidade das escolas privadas em retomarem as aulas.

“Faz dois meses e meio que entregamos o Plano de Biossegurança à prefeitura e cada escola preparou o seu. O sindicato, em parceria com o Sebrae orientou e elaborou mais de 70 planos em todo Estado, tudo para preparar as escolas para retomarem as aulas, que já estão aptas e preparadas para isso”.

Ela enfatiza ainda que duas questões impedem o retorno das aulas: capacidade de leitos para internação por covid-19 e redução na quantidade de casos registrados diariamente. “Haja vista que alguns municípios já voltaram às aulas, como Chapadão do Sul, Bela Vista, São Gabriel do Oeste e Maracaju”, afirma.

Medidas

Somente a enfermeira Rafaela Penrabel, 29 anos, já realizou, desde junho, 21 treinamentos de escolas particulares para a implantação de medidas necessárias para o retorno das aulas presenciais. Uma delas é o retorno gradual dos alunos, conforme a série, por exemplo.

Algo que vai ajudar nesse ponto, conforme a proprietária da Mon Petit, é a redução na quantidade de alunos, que caiu de 386 no começo do ano para cerca de 230. Além disso, em pesquisa com os pais, apenas 60% das crianças ainda matriculadas vão efetivamente voltar. Os outros 40% permanecerão em isolamento e com aprendizado via internet.

“E isso é um diferencial, porque muitos acham que o retorno é obrigatório, mas é facultativo, volta quem quer. Isso é uma oportunidade das escolas abrirem as portas, mas os que não puderem, podem continuar o isolamento. É uma oportunidade para o pai que trabalha o dia todo  ter opção de ambiente controlado e seguro pra deixar o filho”.

Rafaela enfatiza ainda que “essas crianças não estão com o pai ou com a mãe, estão ficando com outras pessoas, porque o mundo lá fora continua e os pais estão trabalhando normalmente e as escolas estão fechadas”, lamenta, ao lembrar que recentemente foi ao cartório, onde encontrou crianças com seus responsáveis. “As crianças estão em locais onde não costumavam estar”.

Desde junho, Rafaela deu treinamentos de biossegurança em 21 escolas. -
(Foto: Escola Afetiva) - CREDITO: CAMPO GRANDE NEWS

Conforme Rafaela, “não tenho dúvidas que somente adequações de biossegurança são capazes de diminuir o risco da pandemia, diferente do que se tem falado, que o retorno às aulas é perigoso”, afirma.

Para ela, as escolas são “um ambiente controlado, observado, monitorado e com atitudes seguras, seja qual for a arquitetura de escola, se tiver adoção de princípios básicos, o ambiente é controlado e seguro”.

As profissionais ouvidas defendem ainda que com a adoção de tantas medidas, as crianças vão se habituar a comportamentos mais higiênicos e seguros, além de se tornarem multiplicadoras dessas atitudes em casa.

Outras medidas que as escolas ouvidas pela reportagem têm adotado são tapetes sanitizantes na entrada, carteiras distanciadas, salas com o mínimo de alunos, marcações de distanciamento nos pátios, escalonamento do recreio e ainda das entrada e saída das turmas. 

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