24 de Junho de 2017 -
 
17/06/2017 - 14h10
Comendo espigas de milho e tomando água de poças mulher desaparecida sobreviveu
Quadro de desnutrição e condições precárias de sobrevivência, com consumo de água suja, milho cru e falta de higiene
Redação/Ludyney Moura/Rafael Ribeiro
Midiamax/Agoranews/Campograndenews
Segundo bombeiros, Thais sobreviveu tomando água de poça - Foto: Henrique Kawaminami

Equipe do Corpo de Bombeiros que participou do resgate de Thaís Valadares, de 40 anos, afirmou durante coletiva na manhã deste sábado (17), que ela sobreviveu tomando água de poças. A empresária foi resgatada por volta das 18 horas desta sexta-feira (16), depois de passar dois dias desaparecida.

De acordo com o tenente Antônio Marcos Francelino, a empresária, que seguia para a fazenda do namorado em Maracaju, se perdeu ao tentar seguir outro caminho.

"Uma ponte por onde ela sempre vai quebrou e ela ligou para o namorado e pediu orientação, mas acabou se perdendo. Tem muitas bifurcações na estrada e ela seguiu pela mata. Não soube mais voltar. Sobreviveu tomando água de poças", afirmou.

Na tarde de ontem o carro da empresária foi encontrado em um assentamento próximo ao posto Pequi, em Sidrolândia - cidade a 73 quilômetros da Capital. Horas depois, ela foi resgatada em uma fazenda.

A primeira informação, foi de que Thaís estava a cerca de 5 quilômetros do carro. Nesta manhã, a equipe confirmou que a empresária foi encontrada a aproximadamente 10 quilômetros da sede da fazenda. Já o carro foi localizado a 30 quilômetros da rodovia.

Depois de ser resgatada, a empresária foi levada para um Hospital Municipal de Sidrolândia e recebeu alta médica por volta das 10h30 de hoje. Ela deixou o local acompanhada por familiares.

Equipes de Sidrolândia, Maracaju, Aquidauana e Campo Grande, além de cães farejadores, drones, um helicóptero, policiais da Polícia Militar, do Garras (Delegacia Especializada em Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros), PRF (Polícia Rodoviária Federal) e militares do Corpo de Bombeiros de Sidrolândia e funcionários da fazenda, onde a empresária foi encontrada, participaram das buscas.

Bombeiros definem como milagre 

Quadro de desnutrição e condições precárias de sobrevivência, com consumo de água suja, milho cru e falta de higiene. Esse foi o quadro vivido pela empresária Thaís Regina de Souza Valadares, de 40 anos, que estava desaparecida desde a última quarta-feira (14) e foi localizada completamente desorientada e com seu problema de diabetes atacado em um milharal de Sidrolândia (a 71 km de Campo Grande), na noite de sexta-feira (16).

Segundo bombeiros que atuaram no resgate, a empresária estava caída, sem forças para se levantar, quando respondeu aos chamados que eram feitos pela equipe.

“Foi um milagre ela ter ouvido a gente chamando seu nome nas condições que ela se encontrava”, destacou um dos bombeiros ao Campo Grande News. A corporação agendou uma entrevista coletiva ainda para esta manhã para dar detalhes de como foi a operação.

Conforme alguns dos relatos dos bombeiros, no rápido contato com a empresária ela relatou um cenário que ele define “como o de um sobrevivente de guerra.” “Ela rastejou por não conseguir mais andar, tinha ferimentos por todo o corpo, estava com sintomas de contaminação por tomar água suja e consumir vegetais crus e sem limpeza”, descreveu.

Empresária e seu trabalho

A empresária Thais Valadares, é sócia de uma empresa de certificação de gado, responsável pelo mapeamento de animais destinado à comercialização, pelos frigoríficos, com mercado estrangeiro.

A empresa de Thais é uma das pioneiras no serviço de certificação e identificação de bovinos e bubalinos em Mato Grosso do Sul. Rebanhos que visam o mercado europeu exigem dos pecuaristas o monitoramento, por tais empresas, dos animais.

O trabalho de certificação e identificação do rebanho é uma exigência do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), para produtores que fornecem animais a frigoríficos com vistas a mercados mais exigentes, como o europeu e o chileno, e está ligado ao Sisbov (Serviço de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos).

O Mapa determina que cabe às certificadoras, como a empresa de Thais, fazer o mapeamento da vida do animal, desde o nascimento até o abate, atestando inclusive dados sobre vacinação e alimentação do gado. São elas que colocam os botons de identificação no rebanho.

A identificação do gado e inclusão do animal no Sisbov é uma das formas para evitar a existência dos chamados ‘bois de papel’, que justificariam o pagamento de propina por meio de notas fiscais frias apresentadas por pecuaristas e entregues pelos irmãos Batista, Wesley e Joesley, à PGR (Procuradoria-Geral da República).

(Colaborou Aline Machado e Nicanor Coelho)

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