22 de Outubro de 2017 -
 
04/10/2017 - 18h00
Justiça condena casal por matar e esquartejar zelador em SP
Maioria dos jurados votou nesta quarta pela condenação de Eduardo e Ieda Martins pelo assassinato de Jezi Souza em 2014
Por Kleber Tomaz e Vivian Reis
G1 SP

Após três dias de julgamento, a Justiça de São Paulo condenou nesta quarta-feira (4) o casal Eduardo Tadeu Martins e Ieda Martins pelo assassinato do zelador Jezi Souza em 2014. Após a maioria dos jurados votar pela condenação do publicitário e da advogada, a juíza Flávia Castellar Olivério leu a sentença e aplicou a pena de 35 anos e quatro meses de prisão, sendo ao menos 32 anos em regime fechado para o réu Eduardo, e 23 anos e quatro meses de reclusão para a mulher dele.

Eduardo foi incriminado por homicídio duplamente qualificado por motivo torpe e sem chance de defesa, ocultação de cadáver, porte de arma de uso permitido e restrito. Ieda foi condenada por homicídio culposo, ocultação de cadáver e fraude processual.

Como já respondiam presos pelos crimes, Martins e Ieda permanecerão detidos. Ele em Tremembé, interior paulista, e ela no Rio (leia mais abaixo). As defesas dos condenados podem recorrer da decisão às instâncias superiores do judiciário.

O promotor Eduardo Michelatto disse após o júri que "foi feita justiça". "A família do zelador estava ainda de luto durante todo esse período e agora conseguimos aplacar essa dor. Estavam muito emocionados. Seu Jezi era um cidadão trabalhador que foi atacado de surpresa pelo morador." O promotor não vê sentido em a defesa querer anular o júri. "As provas lastreiam a condenação dos dois."

Os advogados de Eduardo e Ieda Martins disseram que vão recorrer da decisão e tentar anular o júri. "Vamos tentar fazer um novo júri, as provas dos autos mostram que foi uma lesão corporal seguida de morte. Em nenhum momento ele negou o que fez", disse o advogado do réu.

O júri popular começou na segunda-feira (20) no Fórum da Barra Funda, Zona Oeste da capital de São Paulo. Seis homens e uma mulher votaram e a maior parte considerou que Martins e Ieda mataram, esquartejaram e queimaram o corpo de Souza em uma churrasqueira, há três anos, entre os dias 30 de maio, no apartamento do casal, na Zona Norte, e 2 de junho, na casa de um parente em Praia Grande.

Câmeras do prédio gravaram último momento em vida do zelador saindo do
elevador; na outra imagem, foi captado o momento que publicitário Eduardo
Martins deixa imóvel levando mala onde estava corpo deJezi Souza -
(Foto: Reprodução/TV Globo)

De acordo com a magistrada, Martins cometeu os crimes com premeditação para se vingar do zelador, com o qual tinha discussões sobre o condomínio. Ainda segundo a sentença, Ieda ajudou o marido a praticá-los.

Martins, de 50 anos, foi condenado por homicídio qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual, falsificação de documento público, porte ilegal de arma de fogo de uso permitido e de uso restrito. A advogada foi condenada por homicídio qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.

Na terça-feira (3), quando o publicitário foi interrogado, ele alegou que Souza morreu acidentalmente ao bater a cabeça após discutir e brigar com o zelador. A vítima teria ameaçado matar o filho do casal, segundo Martins, que inocentou a mulher pelos crimes. Em seu interrogatório, Ieda também confirmou que não sabia da morte do idoso.

Imagens das câmeras de segurança do edifício mostram o zelador vivo pela última vez em 30 de maio, quando sai do elevador e não volta mais. Segundo o publicitário, em seguida o idoso bateu a cabeça e morreu durante uma briga entre eles.

Publicitário acusado de matar zelador - (Foto: Reprodução/TV Globo)

Depois, o réu falou que pegou o corpo do zelador e o colocou em uma mala, seguindo de carro ao litoral. Lá usou um serrote para cortar o cadáver em 17 partes e depois queimá-lo. O homem foi preso em flagrante no dia 2 de junho de 2014 após a polícia investigar o desaparecimento do zelador e encontrar os restos mortais.

O júri começou na segunda com o depoimento de 11 testemunhas, entre acusação e defesa. Na terça ocorreu o interrogatório dos réus e início dos debates entre Ministério Público(MP) e advogados de defesa.

Nesta quarta ocorreu a réplica por parte do promotor Eduardo Campana e a tréplica pelos advogados dos acusados. Em seguida, os jurados se reuniram e votaram pela condenação.

Rio

O casal também é acusado por outro crime: o assassinato do ex-marido de Ieda no Rio de Janeiro em 2005. O publicitário e a advogada negam, mas eles também serão julgados por esse homicídio.

Apesar disso, Ieda está presa no Rio por causa desse homicídio. Mas por causa do julgamento em São Paulo, ela foi transferida temporariamente a São Paulo para ser interrogada com o publicitário. Martins está detido em Tremembé, interior paulista.

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