13 de Abril de 2024 -
 
24/03/2024 - 10h00
Polícia Federal prende suspeitos de encomendar a morte de Marielle Franco; o que se sabe até agora
O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, se manifestou no início da tarde reiterando informações já divulgadas sobre os presos
Redação
BBC News/Agoranews
Ato pelos seis anos da morte de Marielle Franco; polícia fez
três prisões preventivas neste domingo (24/3) - Foto: Thomaz
Silva/AG Brasil

A Polícia Federal realizou neste domingo (24/3) três mandados de prisão preventiva relacionados ao homicídio da então vereadora do PSOL no Rio de Janeiro, Marielle Franco, e de seu motorista Anderson Gomes, em 14 de março de 2018.

Segundo confirmaram fontes da PF, foram presos os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, além de Rivaldo Barbosa. Eles estão no presídio da Papuda, em Brasília.

Chiquinho Brazão é deputado federal pelo União Brasil e chegou a ser secretário especial de Ação Comunitária da prefeitura do Rio de Janeiro.

Seu irmão Domingos Brazão é conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. Eles estavam sob investigação no caso, a partir da delação do ex-policial militar Elcio de Queiroz, acusado de ter dirigido o carro usado no assassinato de Marielle e Anderson.

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, se manifestou no início da tarde reiterando informações já divulgadas sobre os presos. Na declaração, durante entrevista coletiva em Brasília, Lewandowski afirmou que a conclusão das investigações e as prisões são um "triunfo expressivo do Estado brasileiro contra a criminalidade organizada".

O advogado Ubiratan Guedes, defensor do conselheiro do TCE do Rio Domingos Brazão, negou, na manhã deste domingo, envolvimento de seu cliente nos homicídios da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes.

Avião da PF chega a Brasília com os três suspeitos presos no caso Marielle
Franco — Foto: José Cruz/Agência Brasil

"(Domingos Brazão) não tem nenhuma ligação com a Marielle (sic), agora cabe à defesa provar que ele é inocente", afirmou o advogado, ao chegar à sede da Superintendência da Polícia Federal no Rio, na Praça Mauá, na capital fluminense. "Estamos surpresos."

Guedes reiterou que Brazão "nunca, nunca teve nenhuma ligação, nenhuma ligação"” com o caso. O advogado disse que ainda não tinha conversado com Brazão e que ia "entrar em contato agora com ele", para "saber o que" acontece.

"Não sabemos da imputação que é feita, está entendendo? Vamos ver", declarou.

O terceiro preso preventivamente, Rivaldo Barbosa, é ex-diretor da Polícia Civil do Rio de Janeiro.

Em postagem no X (ex-Twitter) neste domingo, Marcelo Freixo, que na época do crime era deputado estadual pelo mesmo partido de Marielle, escreveu: "Foi para Rivaldo Barbosa que liguei quando soube do assassinato da Marielle e do Anderson e me dirigia ao local do crime. Ele era chefe da Polícia Civil e recebeu as famílias no dia seguinte junto comigo. Agora Rivaldo está preso por ter atuado para proteger os mandantes do crime, impedindo que as investigações avançassem. Isso diz muito sobre o Rio de Janeiro".

Segundo a fonte da PF ouvida pela BBC News Brasil, a morte de Marielle teria sido encomendada por conta da resistência da vereadora a um projeto de lei que regulariza condomínios na zona oeste do Rio de Janeiro. A zona oeste tem bairros controlados por milicianos que exploram empreendimentos imobiliários na região.

Em 19 de março deste ano, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, havia anunciado que a delação premiada de Ronnie Lessa, preso acusado de ser o executor do crime, havia sido homologada pelo Supremo Tribunal Federal, por envolver pessoas com foro privilegiado.

O ministro havia dito que a conclusão do caso Marielle ocorreria “em breve”.

Em postagem no X (antigo Twitter), Anielle Franco, irmã de Marielle e ministra da Igualdade Racial, afirmou neste domingo: "só Deus sabe o quanto sonhamos com esse dia! Hoje é mais um passo para conseguirmos respostas que tanto nos perguntamos nos últimos anos: quem mandou matar a Mari e por quê?"

A operação da PF deste domingo, chamada Murder Inc, também envolve 12 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, expedidos pelo STF, e tem “como alvos os autores intelectuais dos crimes de homicídio, de acordo com a investigação. Também são apurados os crimes de organização criminosa e obstrução de justiça”.

Em nota emitida neste domingo, o Supremo Tribunal Federal confirmou a expedição de ordem de prisão preventiva contra os irmãos Brazão e Rivaldo Barbosa, afirmando que a decisão passará por referendo da Primeira Turma do Tribunal nesta segunda-feira.

"Os três passaram por audiência de custódia conduzidas pelo magistrado instrutor do gabinete do ministro, desembargador Airton Vieira, nesta manhã, na Superintendência da Polícia Federal no Rio. As prisões foram mantidas, e os presos serão transferidos para presídio federal, no Distrito Federal", diz a nota do STF.

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