Aquidauana decreta luto após tragédia aérea que matou 4 no Pantanal
Município decretou pesar pelo falecimento do arquiteto Kongjian Yu, dos brasileiros Luiz Fernando Feres da Cunha Ferraz e Rubens Crispim Júnior, e do piloto Marcelo Pereira Barros
A Prefeitura de Aquidauana decretou, nesta sexta-feira (26), luto oficial de três dias em razão da morte do renomado arquiteto Kongjian Yu, dos brasileiros Luiz Fernando Feres da Cunha Ferraz e Rubens Crispim Júnior, e do piloto Marcelo Pereira Barros, vítimas da queda de um avião na região da Fazenda Barra Mansa, no Pantanal.
O decreto foi publicado no Diário Oficial do município, diante da grande comoção mundial e das circunstâncias lamentáveis do acidente. O piloto, Marcelo, era morador de Aquidauana e atuava nas fazendas da região.
A prefeitura destacou que o luto é um sinal de respeito e pesar pelas vidas perdidas no trágico acidente aéreo.
Quatro pessoas morreram com a queda do avião nesta terça-feira (23/9)
Foto: Divulgação Polícia Civil/MS
Entenda o caso
A tragédia no Pantanal de Mato Grosso do Sul ocorreu na última terça-feira (23) e resultou na morte de quatro pessoas. O grupo estava na região pantaneira para a produção de um documentário, com foco no estudo do bioma, que é considerado a maior planície alagada do mundo.
Kongjian Yu criou o conceito de ‘cidades-esponja‘. O termo abrange a noção de usar o paisagismo estrategicamente, de modo a minimizar os impactos de enchentes. Ele conhecia, pela primeira vez, o Pantanal. Aliás, o bioma com a maior planície alagada do mundo seria material de estudo para os próximos desafios profissionais.
Já o cineasta e documentarista Luiz Fernando Feres da Cunha Ferraz foi indicado ao Emmy, o Oscar da Televisão, por um documentário realizado sobre outra tragédia aérea: o voo da Chapecoense, em 2016.
Rubens Crispim Júnior era diretor de fotografia e dono da produtora audiovisual Poseidon, que atuava no mercado nacional e internacional. Rubens nasceu e viveu em São Paulo. Ele era formado em artes plásticas pela ECA-USP e participou de festivais como o Short Film Corner, no Festival de Cannes.
O piloto Marcelo Pereira de Barros era um profissional experiente e acostumado a levar profissionais do audiovisual para sobrevoos no Pantanal. Entre os amigos, ele carregava a fama de ser um piloto experiente e cuidadoso.
O que se sabe sobre a tragédia?
O arquiteto Kongjian Yu e os brasileiros Luiz Fernando Feres da Cunha Ferraz e Rubens Crispim Júnior estavam no Pantanal desde o dia 20 deste mês para gravar um documentário. Marcelo Pereira Barros, o piloto e dono do avião, havia sido contratado para levar o grupo aos lugares.
O grupo deveria retornar na terça (23) quando ocorreu o acidente e o avião caiu explodindo na cabeceira da pista.
Os corpos ficaram carbonizados e exames de DNA iriam identificar as vítimas. O resgate dos corpos demorou cerca de 9 horas devido à dificuldade de acessar o local do acidente.
No caso do arquiteto, a família de Kongjian Yu está vindo para o Brasil para o corpo ser periciado com a presença de familiares. Isso ocorre por respeito a uma tradição cultural. Ainda não há previsão para o procedimento.
Causas
A queda do avião ocorreu quando Marcelo teria feito a manobra de arremeter a aeronave, ocasionando a perda de altitude e a queda do avião.
Foi dito que uma manada de porcos-do-mato estaria na pista quando o piloto tentou a manobra, mas a Polícia Civil descartou a possibilidade.
O avião havia sido fabricado em 1958 e não tinha autorização para trabalhar como táxi aéreo.
A aeronave não tinha instrumentos para voar à noite.
O avião já havia sido alvo da Operação Ícaro em 2019 por irregularidades.
Morreram no acidente o piloto Marcelo Pereira de Barros, o arquiteto chinês Kongjian Yu, e os cineastas Luiz Fernando Ferraz e Rubens Crispim Jr.
O que falta saber sobre a queda do avião?
Manada de porcos-do-mato na pista? Ainda não há resposta para a pergunta. A polícia descartou a presença de animais como causadora do acidente.
A arremetida antes da queda está sendo analisada. A informação de animais na pista havia sido dada por testemunhas aos bombeiros.
A Polícia Civil apura se o voo foi irregular. O voo havia sido pago, mesmo a aeronave não ter autorização para operar como táxi aéreo.
Parte do voo teria ocorrido após o pôr do sol, o que também fere as regras, que dava permissão para a aeronave sobrevoar somente durante o dia.
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