05 de Fevereiro de 2026 -
 
04/02/2026 - 20h20
ELA VENCEU: No Dia do Combate ao Câncer, estudante é homenageada após 7 anos de luta: ‘Me descobri uma pessoa forte’
Maria Eduarda relata emoção ao tocar ‘sino da cura’ e tem planos de se tornar médica
Idaicy Solano, Mariana Pesquero
Midiamax/Agoranews
Jovem soltou balão em momento simbólico após receber
alta. (Foto: Leonardo de França, Jornal Midiamax)

A estudante de Medicina Maria Eduarda Gonçalves, de 26 anos, foi homenageada pelas forças de segurança pública de Mato Grosso do Sul na tarde desta quarta-feira (04/02), após sete anos de luta contra o câncer.

A cura é comemorada, justamente, na data em que se celebra o Dia Mundial de Combate ao Câncer, em 4 de fevereiro.

Jovem e cheia de sonhos a serem conquistados, incluindo o diploma de Medicina, o momento especial vem carregado de significados e com a vontade de se manter forte para ajudar outras pessoas. “[Desejo] ser resposta das orações de alguém, assim como meu médico foi resposta para as minhas orações.”

O momento marca mais um passo na trajetória da estudante, que há um ano tocou o sino da cura pela primeira vez, após superar o diagnóstico de leucemia. Hoje, curada de um câncer na tireoide, encerrou o ciclo de quimioterapias e tratamentos com um gesto simbólico, ao soltar um balão com os dizeres “Tive câncer, mas o câncer não me teve”.

Passado o período crítico do tratamento, Maria Eduarda expressa a emoção de finalmente tocar o sino da cura. “Foi muito emocionante, porque é pra anunciar pra mim mesma que passou e que tá tudo bem agora. Não sei como vai ser o amanhã, mas o hoje tá maravilhoso.”

Rede de apoio

Forças de segurança pública de MS prestaram homenagens
à estudante Maria Eduarda. (Foto: Leonardo de França,
Jornal Midiamax)

Maria foi internada pela primeira vez em 2019, ano em que descobriu, por meio de um exame de sangue, um quadro de ‘leucemia aguda’. Durante o tratamento, as forças de segurança pública do Estado se mobilizaram para realizar doações de sangue para a jovem.

Agora, viaturas da PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul), GCM (Guarda Civil Metropolitana), CBMS (Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul) e PRF (Polícia Rodoviária Federal) se fazem presentes no momento da alta, para receber a estudante.

“Eu não sei quantas bolsas eu precisei, só sei que o sangue deles tá correndo nas minhas veias e ter eles aqui é muito significativo, porque eu só estou aqui porque eles tiraram um tempinho e doaram. [Os oficiais] são amigos da minha família, que também separaram um tempo pra enviar mensagens de apoio, de carinho e sustentaram a gente durante todo esse tempo, afinal, a cura não se alcança sozinha, tem toda uma rede de apoio envolvida”, agradece a jovem.

A enfermeira Carla Bernal, mãe de Maria Eduarda, relata que viu seu mundo ‘desabar’ após o diagnóstico e foi preciso resiliência para se manter forte e apoiar a filha. “A sensação do profissional de saúde é de que nós salvamos vidas; então, por isso, os nossos estão salvos. Quando solicitaram uma UTI para ela, esse pensamento caiu por terra. Eu senti um buraco; mas, logo em seguida, me fortaleci e entendi que a Madu precisava de uma mãe forte.”

Durante os anos de tratamento, Carla expressa que buscou dar todo o apoio emocional que a filha precisava, além de afirmar acreditar na cura, não deixando que a jovem fosse vencida pelo medo. “Por mais que eu soubesse que era uma doença extremamente agressiva, eu sempre tive fé, mesmo sabendo de como essa doença acontece, cientificamente falando. Foram sete anos falando pra ela: ‘Filha, vai passar’. E passou. Graças a Deus, hoje nós comemoramos a remissão.”

Me descobri uma pessoa forte’

Maria relata que enfrentou a leucemia por cinco anos e, antes de receber alta, foi diagnosticada com o câncer de tireoide, em 2024. Durante os sete anos de tratamento, expressa que se manteve firme graças à sua fé e com o auxílio de terapias.

“Eu estaria mentindo se dissesse que eu não senti medo, que eu não tive emoções fortes durante todo esse processo. Mas eu também me descobri uma pessoa muito forte e com vontade de viver, de alcançar tudo aquilo que o Senhor preparou pra mim. [Eu me descobri] muito mais forte do que eu achei que eu era”, relata.

A estudante enfrentou 16 sessões de quimioterapia e três anos de quimioterapia oral, até receber alta do tratamento contra a leucemia. Já o câncer na tireoide levou oito meses para ser diagnosticado. Durante esse período, ela já havia começado a faculdade de Medicina, em 2024, e dividia a rotina de estudos com a rotina hospitalar. “Vinha constantemente pra poder fazer todo o processo pra iniciar o tratamento; depois que descobri o que era, fiz duas cirurgias e uma iodoterapia.”

Maria Eduarda ao lado da mãe, Carla. (Foto: Leonardo de França, Jornal Midiamax)

Futura médica

Maria expressa que sempre soube que queria ser médica e que estava estudando para o vestibular na época em que o primeiro diagnóstico veio. Para ela, ter iniciado a faculdade após vivenciar a Medicina da perspectiva de uma paciente oncológica mudou não apenas a si mesma, como também a forma de ela enxergar a profissão.

“Quando você olha pra ciência, só a ciência, você vê mil possibilidades. Mas, quando você vê a ciência da perspectiva de um paciente, é diferente. Você não vê a Medicina pelos olhos da Medicina, somente; vê a Medicina através dos olhos de alguém que já precisou da Medicina, e isso te torna alguém diferente. Isso me moldou como futura profissional e também como ser humano”, finaliza a estudante.

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